Quando a energia me falta e a necessidade de glicose se faz, às vezes lembro do Fabrício, Léo e Nêgo, por conta do doce que a gente inventou, ou foi o Fabrício, ou alguém o ensinou, disso já não me lembro mais… e importa? Um punhadinho de leite no copo, mais um punhadinho de Toddy ou Nescau e um punhadão de doce de leite. O melhor doce de leite era do tio Hélder! Engraçado que ninguém batizou a mistura. Até hoje penso nisso. Ou batizaram e me esqueci. Mas não me esqueço dos meus, do sabor da infância, quando a herança genética da vovó me enfraquece e os sentidos parecem se esvair e tenho os ingredientes em casa para me salvar da fraqueza e talvez da morte, quem vai saber? Às vezes peco, confesso! Degusto a “sobremesa” sem necessidade alguma de energia a mais no sangue que me mantém. No paladar, o sabor que nunca mais de outrora. No peito… ah, no peito! Esse coração que bate inquieto e descompassado por não entender a diferença entre o pecado do querer e o pecado do já ter tido.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2025
sexta-feira, 24 de outubro de 2025
Qual o tamanho do seu Sonho?
segunda-feira, 22 de setembro de 2025
Desafio à Esfinge
Para antes, raramente cresciam estrelas imensas, realmente instigantes!
Não havia assim, estrela sem tempo atrás...
Era apenas paz!
E nada além.
Seria uma mulher a fome onipresente, rechaçada mesmo ao dobro – o pobre ontem?
Eram tempos intensos naquela hora após!
Dum inesperado, Zeus excluiu reinado que, único, entre Quiones, unicórnios, amavam-se noutrora dramática!
Os ágoras lançam experiências, viagens estelares intrínsecas, pós amor!
Riam-se assim, sem entraves no tom!
Instável riso oprime cenário habitual então?
Imagine-se!
Reinvente-se onde dá amor!
Felicidade lenta, ontem rondavam ferozes orgulhos!
Ilumine-se!
Um mês leve, ame-se!
Mesmo esquecendo-se noutro tom!
O ontem, bora esquecer inesperadamente!
Já ouvia-se quem unia elementos de esquecer?
Iria xamã especial ignorar deuses específicos?
Reza outros universos, beija a reza!
sexta-feira, 10 de março de 2023
O que ficou
o palhaço chora atrás da arena
chora a partida da morena
que desde quando entrou em cena
era o amor que eu nunca vi
a criança chora descontente
se enfurece tão carente
em desespero não entende
qual o sentido do partir
sexta-feira, 14 de janeiro de 2022
Dom Riobaldo
Felinos. Demorei um tanto pra fazer amizade. Foi há três ou quatro anos. Quando larguei mão de medo, comecei a projetar um bichinho manso e brincalhão que roçava a cabeça nas minhas pernas de quando em quando, querendo algum tipo de qualquer coisa, até dividir.
Minha primogênita foi a gata Christie. Adotamos de um lar de BH. Cunhada que trouxe. Ela e uma irmãzinha. A irmãzinha ficou com a sogra. E a gata Christie era uma lindeza: Pêlos branquinhos e muitos, com chamuscadas de cinza claro de tempo em tempo – a do rosto se destacava à esquerda, circundando os olhos azuis, clarinhos que nem as águas das praias de areia branca que já vi, das salgadas. Uma boniteza de ficar olhando, de rabo grosso e peludo.
Tomou sumiço muito rápido. Nunca foi sociável, não me lembro de ter pedido carinho um dia. Era esquiva de carinho, de socialização. Cresceu um tantinho e já passava o dia no telhado. Às vezes a noite também. Eu tentava afeto, mas não dava. Até que um dia ela voltou mais não, lá de cima. Faz uns três anos, coisa disso. Procuramos até. Flavinha (pouco tempo desses, coisa nem de ano e meio), chegou em casa e disse que tinha visto a bichinha na rua. Chamou sem resposta. A gata correu. Mas continuava bonita, bem cuidada, peluda. Família tinha, certeza. Ouvi tudinho e decretei sentença ao relato: coisa da cabeça dela - saudade que acontece.
Mas eu queria insistir nas tentativas de amizade com os bichanos, quantas viessem e fossem – a vida é um entra e sai danado! Achei interessante esse negócio de desapego, de foda-se o que você espera de mim. Então projetei Riobaldo. Melhorei na tela mental e ele apareceu pra adoção pouco tempo depois, coisa nem de uma novena inteira, do jeitinho que era mesmo no meu querer: pretinho todo, de olhos grandes amarelados. Carinhoso, brincalhão e destemido (corria atrás de Lara e Luna antes de a Lua ter nascido cheia pra ele pela segunda vez depois de um tanto). Riobaldo passava o dia empoleirado no meu ombro ou na minha coxa enquanto eu corria atrás do de comer, porque trabalho tem que ter sim, mas sem dar trabalho. Cabia quase que na palma da minha mão, tempos aqueles de filhote: amizade que eu queria foi ali!
Janeiro é mês dele: duas voltas ao redor da brilhosa, o Sol, ele vai fechar. E já me ensinou um tanto bom! Meu medo dos felinos, aquela coisa que a gente costuma sentir quando desconhece e é desconexo foi-se embora, se escafedeu. Veio uma admiração profunda, curiosa, custosa. Consequência disso a ternura, filha bastarda do amor. Foi-se eu de antes, nasci outrinho novo, doidinho de saber das coisas mais.
Hoje são sete aqui em casa: Riobaldo, Diadorim, Fumaça, Marruá, Sagan, Bebelo e Deboa. O Deboa é de boa mesmo e sempre foi, ele é o próprio homônimo. Bebelo era Virgulino, mas Guimarães venceu Lampião no final das contas, por bairrismo ou amor ao imortal talvez – é que O Grande Sertão é mais bonito nos livros às vezes e, aqui em casa, nosso sertão fala uai, coisa labuta essa de desacostumes – e não obstante, convenhamos, Zé Bebelo é, de fato, velocidade da luz e metro e meio mais cativante que o Rei do Cangaço - matou só no pensar da gente, não fez de vontade. Sagan também corresponde com sua alcunha, o danado: desbravador. Alcunha dois: Frajola, que nem! Marruá também tem nome que é seu, só que um desastre de estabanada. Marruá é uma Juma tresloucada, tipo igual assim. Fumaça é o único pretinho que veio e que tem consigo todos os trejeitos de Riobaldo. Um tanto cismarento batizei o refugo: Dom Riobaldo II Francisco de Gandhi do Pinlar, vulgo Fumaça. Herdeiro único de Riobaldo I, cismo quantas vezes tiver número! Aliás - perdão cronologia - deveria ter contado bem lá no início desta prosa que Riobaldo nasceu Dom Riobaldo I Antônio de Jesus da Palma. Sim, fui eu que inventei as denominações e heranças arcaicas aqui. Nada mais justo, pois não eram reis do Egito os felinos certa feita? Pois os meus reis são reis tupiniquins e reis tupiniquins não costumam ser destronados - sobrenomes são gravetos que alimentam a fogueira (desconheço situação desta de destrone ou desnome, pelo menos desde a época que os portugas se mandaram do quinto dos infernos - enxergo semelhança entre Clarice e Carlota, esse tal do creditar sem aval). Por fim, a mãe de todos – menos de Riobaldo Antônio – é Diadorim. Chegou do nada aqui em casa, veio do quintal dia bobo desses de sem muita aflição, chegou ganhando espaço, pedindo carinho, cismada com Lara e Luna, ela veio assim. Ficou e ganhou barriga, acho que nem ano inteiro tinha feito. Riobaldo já era castrado - mas sei não - Fumaça que o diga.
sábado, 25 de dezembro de 2021
Deus me Livre!
Deus me livre!
Frase
comum do meu cotidiano que cria a sensação equivocada de minha crença em Deus. Não
que eu não acredite na existência de Deus. Eu apenas desconfio dela. E essa
desconfiança me libera da condição de ser um ser ateu. Agnóstico? Tudo bem, se
rótulos se fazem necessários.
As verdades são perigosas e a necessidade de se crer num salvador já matou milhões e milhões e milhões de inocentes num holocausto produzido pela propaganda disseminada sem nenhum escrúpulo, pudor ou piedade em prol de interesses escusos, sombrios, egocêntricos, malditos – a vontade exacerbada de poder! No final das contas a culpa é um bolo gigantesco e amargo: os primeiros e mais generosos pedaços cabem aos mentores, disseminadores e produtores da desgraça feita, enquanto as demais fatias são distribuídas aos crentes, aos braços cruzados, às bocas caladas, aos preguiçosos de pensar e aos que simplesmente não as rejeita.
Em noites como essa, em que a mente acelera e as palavras se infinitam aqui dentro – desconexas e despretensiosas – eu simplesmente as deixo nascer do jeito que vieram: um texto cheio de placenta, sangue e excremento. Apenas corto o cordão umbilical e elas estão livres e sozinhas, prontas para serem interpretadas a mil modos, a mil vidas, a mil crenças e descrenças.
Tranco a porta da sala.
Apago as luzes.
E vou dormir, tentando rejeitar a fatia daquele bolo amargo.
Sim!
Porque tem bolo pra todo mundo – tem bolo pra todos nós! E muitos morreram, morrem e ainda morrerão – engasgados.
quarta-feira, 25 de novembro de 2020
Chuva no Sertão
Quando chove no sertão
E quando é frio de molhado
E rapacuia fala alto
E lampião quase apagado
Árvore dá suspiro de ver
Terra tem cheiro de preguiça
Assombração finge de vento
Troveja, cutuca, atiça
Quando chove no sertão
É o que não tem
Que acontece
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Para antes, raramente cresciam estrelas imensas, realmente instigantes! Não havia assim, estrela sem tempo atrás... Era apenas paz! E nada a...
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